O diabetes gestacional é o problema do metabolismo mais comum durante a gestação, podendo afetar até 25% das gestantes.

Uma das grandes preocupações são os riscos que o diabetes descontrolado pode causar ao bebê. Os filhos de mães com diabetes gestacional podem apresentar complicações quando ainda estão dentro do útero ou após o nascimento.

Vamos discutir os principais riscos que os níveis altos de açúcar no sangue da mãe podem causar ao bebê.

Macrossomia

Quando o bebê nasce pesando 4 kg ou mais, ele é denominado bebê macrossômico. Isso ocorre porque houve um crescimento fetal exagerado durante a gravidez, o que pode dificultar o parto.

No diabetes gestacional descompensado, ocorre aumento importante nos níveis de insulina da mãe e do feto, o chamado hiperinsulinismo.

A insulina é um hormônio anabólico (que promove o crescimento e hipertrofia), e em excesso, fará que ocorra crescimento exagerado do corpo e dos órgãos, aumento da gordura corporal e da distância entre os ombros do feto.

O bebê grande tem maior dificuldade em passar pelo canal vaginal, predispondo a lesões do parto, tanto da mãe quanto do bebê.

Pode ocorrer dificuldade no momento da saída dos ombros do bebê (com necessidade de manobras adicionais, situação chamada de distocia de ombro), lesão dos nervos do braço do bebê, fratura da clavícula e dos ossos dos braços, e menos frequentemente, hemorragia no cérebro e paralisia da face.

Hipoglicemia

Também devido ao hiperinsulinismo, há o risco de queda dos níveis de açúcar no sangue do bebê ao nascer, ou seja, hipoglicemia do recém-nascido.

Quando o diabetes ficou alto durante a gestação, o feto permanece em um ambiente com altos níveis de açúcar e, como consequência, seu pâncreas produz altos níveis de insulina.

Logo após o parto, quando pára de receber tanto açúcar da mãe e seus níveis de insulina ainda continuam altos, ocorre queda brusca na glicose do bebê.

A hipoglicemia no bebê é muito grave e pode levar a complicações e morte.

Prematuridade

Fetos de mães com diabetes na gestação tem maior propensão a nascerem antes do tempo, seja espontaneamente ou por indicação médica.

Bebês prematuros apresentam maior chance de problemas no sistema cardiovascular e respiratório logo após o nascimento e maior risco de desenvolvimento de pressão alta, obesidade e doenças do coração na vida adulta.

Dificuldade respiratória

Os níveis elevados de açúcar da mãe atrasam o amadurecimento dos pulmões do feto, o que favorece que recém-nascidos de mães com diabetes descompensado tenham maior risco de dificuldade de respirar ao nascer.

Além disso, os níveis elevados de insulina dificultam a ação dos medicamentos utilizados no preparo dos pulmões fetais para o nascimento.

Quando o bebê nasce com desconforto respiratório importante, muitas vezes pode ser necessária internação em ambiente de UTI até melhora do quadro pulmonar.

Outros problemas

Além de macrossomia, hipoglicemia, prematuridade e dificuldade respiratória, outros riscos são: produção exagerada de células vermelhas do sangue, funcionamento alterado do coração, icterícia (pele amarelada por aumento das bilirrubinas), alterações neurológicas e de eletrólitos (magnésio, cálcio e ferro).

Portanto, fica claro o porquê somos tão preocupados com os quadros de diabetes durante a gestação. Existem diversos riscos para o feto nos casos de diabetes gestacional.

A boa notícia é que o controle rigoroso da glicemia durante a gestação diminui os riscos de complicações para o filho de mãe diabética.

É necessário acompanhamento com endocrinologista especializado durante toda a gestação e muito empenho e amor da futura mamãe!